Falando em Terapia

Terapia online funciona?

É melhor procurar análise online ou presencial?

Durante o período de isolamento social por causa da pandemia de COVID-19, as análises aconteceram quase que exclusivamente em ambiente online, o que fez muita gente refletir sobre sua eficiência. Afinal, a análise online é adequada?

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A videoconferência é uma ferramenta cada vez mais utilizada nos mais variados campos de atuação profissional, graças aos avanços tecnológicos, que permitem condições satisfatórias de estabilidade de internet, mas também devido à praticidade de uso das ferramentas de comunicação a distância. E recentemente, por conta do isolamento social devido à COVID-19, vários setores adotaram ou intensificaram o uso da conversa online. Professores passaram a lecionar por meio do monitor, aumentou significativamente a prática da telemedicina, audiências públicas do Judiciário e Legislativo têm sido praticadas, reuniões de trabalho das mais variadas empresas têm acontecido a distância. Na Psicanálise não foi diferente. Se já havia a prática do atendimento online, essa prática multiplicou-se de tal modo que os atendimentos na sua quase totalidade passaram a ocorrer por vide chamada. Mas afinal, a análise online veio para ficar ou é somente uma prática passageira devido à pandemia do Coronavírus?

Sem adentrar em teorias, podemos dizer que o essencial numa análise é que o ambiente da análise (presencial ou online) favoreça a relação entre analista e paciente e proporcione as condições para que os fundamentos do processo analítico possam se dar satisfatoriamente. Por conta do isolamento social, os atendimentos online multiplicaram-se exponencialmente e, com certeza, ao seu tempo, muitos relatos e estudos a respeito do assunto serão produzidos. Mas, já se pode dizer que a multiplicação dos atendimentos tem comprovado que, sim, é perfeitamente possível e até preferível, em certos casos, o atendimento a distância.

Suponhamos, por exemplo, um paciente que mora em um local sem oferta de analistas, que não possa se deslocar para uma clínica presencial localizada muito longe de sua casa; ou um paciente que, por razões de limitações de locomoção, não possa ir a uma clínica; ou ainda um paciente que não dispõe de tempo suficiente de deslocamento devido ao trânsito; ou mesmo um paciente migrante que mora em um país estrangeiro e deseja fazer análise com um analista brasileiro. [O lugar psíquico do migrante >>]

Essas são situações práticas que, por si só, justificam a procura pela análise online. Mas há casos em que, do ponto de vista subjetivo, a análise online pode ser preferível à presencial. Há pacientes que se sentem mais à vontade no ambiente online, outros conseguem progressos mais significativos devido ao fato de concentrarem-se melhor em si mesmos nas sessões online. Por outro lado, certos pacientes necessitam da presença física do analista, aos quais precisamos oferecer o atendimento na clínica presencial, sem contar os casos em que, eventualmente, esteja potencialmente em risco a vida do paciente ou de terceiros, situação em que se deve optar pelo atendimento presencial.

O ponto crucial a ser considerado em relação às modalidades presencial e online de análise é a singularidade de cada paciente. Não podemos nos valer de estatísticas para contabilizarmos a eficiência de uma situação ou outra, pois o que importa é observar cada caso individualmente. O certo é que a análise ocorre com qualidade terapêutica nas duas modalidades. Assim, o paciente pode procurar o atendimento online, por necessidade ou por comodidade. E somente o processo de análise é que vai apontar a sua adequação para cada paciente.

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Elizabeth Sbrana

José Teotonio

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