Falando em Terapia

Da melancolia ao luto

Por José Teotonio

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
Embora a manhã já estivesse avançada.
C
hovia. 
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite. 
Então me levantei, 
Bebi o café que eu mesmo preparei, 
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando…
 Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei. 

[Manuel Bandeira, Poema só para Jaime Ovalle]

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Relatos de duas pessoas de meu convívio acerca de seus lutos levaram-me a refletir no tema, ou melhor dizendo, no par luto/melancolia, e pus-me a investigar o assunto a partir do texto freudiano Luto e Melancolia (1915). Minha curiosidade levou-me a passear a atenção pelo conceito de melancolia desde a antiguidade grega até Freud, de sorte que notei que ele fez uso apenas parcial do sentido psiquiátrico de sua época para o termo melancolia que, aliás, parecia, desde o início do século XIX, estar dando lugar à alcunha de monomania triste e lipemania para o fenômeno da tristeza profunda, conforme preferências de autores como Pinel e Esquirol. [1]

[1] Philippe Pinel (1745-1826), médico e psiquiatra francês. Jean-Étienne Esquirol (1772-1840), psiquiatra francês.

Freud, por outro lado, ao mesmo tempo em que adota o termo clássico melancolia, mantém dele o conceito de adoecimento, mas parece recusar a tradição etiológica relativa à corporeidade para, em lugar disso, inscrevê-la no campo psíquico.

O que segue são especulações motivadas pelos relatos dos dois enlutados de meu convívio, pelo texto Luto e Melancolia de Freud e por uma sumária bibliografia ao meu alcance acerca das transformações e permanências de sentidos que envolvem a melancolia ao longo das épocas, que remontam à idade clássica greco-romana e, em especial, o enfoque aristotélico sobre o fenômeno. E se, de algum modo, tivesse Aristóteles alguma razão em relacionar a melancolia a um estado de criatividade do indivíduo, e não somente ao adoecimento, como fez sedimentar, enfim, o discurso médico ao longo das épocas, desde Hipócrates? Freud debruçou-se sobre a melancolia a partir de duas estratégias: comparando o que chamou de “luto normal” à melancolia, extraindo da comparação o que havia de semelhante e distinto nos dois fenômenos; e elegendo o aspecto da economia psíquica dos fenômenos, observando o movimento das energias envolvidas. Por meu turno, pretendo especular sobre o trabalho do luto, tendo em mente a descrição que dele fez Freud, ao compará-lo à melancolia, e questionar se não operaria nele elementos da melancolia no sentido aristotélico quanto ao seu aspecto criativo, pondo em foco não a melancolia em relação ao luto, mas este em relação àquela.

Os relatos

À época do relato, W era um senhor de cinquenta e dois anos, casado, sem filhos. Seu pai falecera há dois anos, aos oitenta anos. Sofria de diabetes e pressão alta há uns trinta anos. Fazia uso regular de insulina e remédios de controle do diabetes. W confessou-me que pensava na finitude do pai desde um ano antes de sua morte. E quando o pai foi submetido a uma internação devido à circulação sanguínea comprometida numa das pernas, provavelmente por conta do diabetes (havia um ferimento espontâneo e importante no pé, dores fortes e inchaço na perna), W imaginou que o pai não sairia vivo do hospital, pois que a última visita que fizera a ele, uma semana antes da internação, impregnou-o de angústia devido à debilidade do pai. E a internação foi aflitiva para W e seus irmãos, pois que o pai permaneceu por cinco dias na enfermaria do hospital porque não havia vaga para a internação necessária aos cuidados adequados. Os irmãos conseguiram, enfim, uma transferência para outro hospital considerado mais apropriado, mas o pai permaneceu por mais cinco dias numa maca, num corredor, aguardando vaga para internação. Nesse período, W não esteve ao lado do pai, pois que, desde muito jovem evitava esse tipo de ambiente por conta de uma fobia que o levava ao desmaio. Permanecia em constante contato com os irmãos, que o mantinham informado e sofrendo pelo sofrimento do pai que, nesse período de corredor, foi acometido por uma infecção importante nos pulmões. Ao fim dos cinco dias, foi transferido para um leito de UTI a fim de tratar as bactérias nos pulmões. Ali permaneceu por dez dias quando, enfim, foi a óbito por complicações nos pulmões e em outros órgãos vitais causadas pela bactéria provavelmente adquirida no corredor do hospital. Com muito esforço, driblando como pode a fobia, W realizou duas visitas ao pai hospitalizado. Na primeira, após alguns dias de UTI, o pai estava consciente e trocaram amenidades, mas W notou que ele misturava delírios a fatos reais. A última visita ocorreu praticamente à sua revelia, pois que o objetivo da ida ao hospital era acompanhar um dos irmãos para conversar com o médico a respeito do quadro clínico do pai, que não respondia bem ao tratamento dos antibióticos. A conversa ocorreu no corredor próximo à UTI e, ao fim, após os relatos desanimadores, o médico incitou os filhos a verem o pai. W encontrou-o sedado e entubado, muito pálido e esquálido. Quase um cadáver, nas palavras de W. Conseguiu permanecer no recinto por poucos minutos. Aguardou no corredor o irmão finalizar a visita. Dias após, iria encontrar-se, naquele mesmo corredor, com todos os irmãos para abraçarem-se e chorarem a morte do pai. W não viu o pai morto. Os irmãos cuidaram de todos os trâmites burocráticos e logísticos relativos ao funeral e enterro. O pai foi velado por pouco mais de doze horas, da noite após o óbito à manhã do dia seguinte. W, por conta de sua fobia, permaneceu todo o tempo no jardim externo ao salão onde jazia o pai. Não passou da porta de entrada. Ali fora, despediu-se dele mentalmente, como sempre fez desde muito jovem nos passamentos outros de amigos e parentes mais distantes. Ali recebeu as condolências de conhecidos e desconhecidos. Durante os dois anos de luto que separaram o velório e o relato, W evitava conversas sobre o pai, fotografias dele e mesmo uma homenagem promovida pelos irmãos. Calou-se e chorou e sofreu. Até o primeiro ano de luto, acordou vezes e vezes de madrugada sobressaltado pelo susto da ausência do pai. Sonhou com ele durante muitas noites sonhos de consolo. Nos últimos meses, contou-me, mantinha a recusa às fotografias e conversas com os irmãos sobre o pai, mas pegava-se observando em si mesmo trejeitos, comportamentos, gostos, modos de falar e andar do pai, o que lhe dava gosto e saudade. Apareciam em seu pensamento frases do pai, geralmente encerrando, cada qual, em poucas palavras, uma opinião cabocla paterna. Gostava. Segundo ele, essa nova fase foi aninhando o pai dentro de si. Passou a reportar à esposa, primeiro timidamente, depois com mais desenvoltura, como se comportaria o pai em determinadas situações cotidianas. Comportamentos com os quais W concordava e, às vezes, pegava-se reproduzindo até. E assim, foram-lhe surgindo à mente traços admiráveis do pai, misturados com saudade e ternura. Mas, permaneceu arredio às imagens fotográficas paternas que os irmãos insistiam em compartilhar, e às conversas em família sobre ele. Nessa fase do luto estava W quando conversou comigo a respeito.

M tinha setenta e dois anos quando me contou do seu luto, que durava dois anos, iniciado na mesma época do luto de W. Era casada, mãe de três filhos e avó de três netos. A filha mais nova, trinta anos, casada há um ano, sem filhos, sofreu um acidente vascular cerebral e foi a óbito imediatamente. Acordou pela manhã com dor de cabeça, queixou-se ao marido, levantou-se e foi ao banho. Um ruído suspeito fez o marido acorrer à esposa, que jazia desacordada no piso frio do banheiro. Ainda não havia se despido para banhar-se, embora o chuveiro já estivesse ligado. Contendo como podia o pânico, chamou por ela, levou-a à cama. Ela respirava. Telefonou para uma parenta dela, médica, que morava a poucas quadras. Já estava em trânsito para o trabalho, retornou. Quando chegou, os paramédicos, acionados, já estavam providenciando o traslado para o hospital. Pulso fraco. Pressa. No caminho, o marido telefonou para M, que abandonou os afazeres e convocou o marido para irem em socorro da filha. Ele dirigiu. M, no percurso, ligou para seus quatro irmãos (que acionaram seus respectivos filhos) e para os dois irmãos da filha. Chegaram todos quase ao mesmo tempo e encontraram o jovem viúvo em prantos, a quem se juntaram em choros e abraços. Os papéis e os preparativos para o velório foram ajeitados com celeridade. Naquela mesma noite, parentes e amigos aguardavam o corpo, que logo chegou ao local escolhido por M para a cerimônia. Em que pesasse a dor lancinante da perda da filha jovem, M participou como pode dos detalhes da mortalha. Ajudou a escolher modelo e cor da última vestimenta da filha, as cores das flores. Um primo e um tio da falecida negociaram com o estabelecimento o horário da cremação ocorrida na manhã do dia seguinte. Durante as pouco mais de doze horas que antecederam a cerimônia última, M permaneceu ao lado do corpo da filha. Contou-me que sua tristeza profunda retirava-lhe as forças ao choro. E triste profundamente permaneceu ao longo do primeiro ano de luto, sendo sua ocupação, nas mais das vezes, o recordar e o marcar com gestos e pequenas cerimônias, dirigidas aos amigos e parentes, cada mês que se ia completando do passamento da filha. Com fotografias, com mensagens de texto, com músicas, com missas, com saraus, com encontros programados. Dias depois ao ato de despedida, o viúvo voltou para a casa dos pais e M mandou recolher do apartamento do jovem casal os pertences pessoais da filha (roupas, calçados, adereços, maquilagens, joias, fotografias) e os realocou no quarto de solteira da finada. Local que M passou a frequentar regularmente. Ali, segundo informou-me, sustinha objetos, vestuários, cheirava-os, dispunha-os sobre a cama, revisitava em pensamento fragmentos de situações vividas com e pela filha suscitados pelos objetos afagados, e experimentava um misto de consolo e saudade dilacerante. Após cerca de um ano e meio, a dor foi se alojando num canto menos insuportável da alma e os pequenos consolos pareciam mais perceptíveis a ela e aos que a cercavam. Suas falas a respeito da filha passavam a um tom mais saudoso e ela já conseguia lembrar com algum gosto, a amigos e parentes, situações, episódios da vida breve da filha. Nesse período do luto, passou a usar pertences da falecida (ora uma blusa, ora um adereço, um perfume, um calçado) e sair com eles ao convívio social. Segundo M, o uso que fazia dos objetos da filha a confortavam sem deixar de produzir uma saudade suportável, pois que denunciavam a ausência da filha e garantiam uns pedaços de sua presença no pensamento e no corpo. Quando alguém notava que ela usava um adereço ou peça de vestuário da morta, M engatava lembranças e pormenores da falecida relativamente àquele objeto, avivando na memória a presença da filha ausente. Foi nessa fase que M fez-me seu relato.

As Conjecturas

Estamos diante de duas experiências de luto, dois processos que guardam distinções e semelhanças. Um filho perde o pai idoso e enfermo após semanas de internação hospitalar. E uma mãe perde abruptamente uma filha jovem. O enlutado evita contato com o falecido, recusando-se, inclusive, a velar o pai e ausenta-se de homenagens ao finado, evitando também imagens dele e mesmo conversas a respeito. A mãe em luto, por seu turno, permanece todo o tempo em contato com a filha morta, seja no velório, seja por meio de fotografias e objetos pessoais da falecida. Por outro lado, cada qual dos enlutados, a seu modo, passaram por um processo igualmente doloroso de teste de realidade, relativo à descatexização, ao que tudo indica, parcial, do seu respectivo objeto perdido. Se W evitou compartilhar com os irmãos rememorações do pai por meio de conversas e imagens, as produziu no calado de seu íntimo, chegando, à época do relato, a encontrar em si mesmo gestos, atitudes e pensamentos originários do pai, tecendo dele, a partir dessas constatações, uma imagem saudosamente viva. Já M, desde o início do luto, partilhou com os conhecidos suas lembranças, dores, saudades e admirações em relação à filha; fez uso partilhado de imagens, narrações de episódios da falecida e, de certa forma, como que a incorporou por meio de uso de suas roupas, perfumes, adereços pessoais. Cada um dos dois, por vias parcialmente distintas, tem cedido à realidade da morte de seus entes queridos, ao mesmo tempo em que parecem ter selecionado e organizado dentro de si fragmentos deles por meio da conexão entre determinadas lembranças e determinados afetos provavelmente importantes para o trabalho de transigência à realidade da ausência dos entes.

Em Luto e Melancolia, Freud nos apresenta a economia do trabalho do luto para compará-lo à melancolia, a fim de lançar luz sobre esta. Para o autor, o luto envolve uma tensão dramática entre a constatação da morte do ente e a resistência inconsciente a manter o investimento libidinal no objeto perdido. E o trabalho econômico do luto consiste em desinvestir a libido ligada a cada uma das tantas lembranças relativas ao objeto. Processo lento e penoso:

[As ações de desinvestimento] São executadas pouco a pouco, com grande dispêndio de tempo e de energia catexial, prolongando-se psiquicamente, nesse meio tempo, a existência do objeto perdido. Cada uma das lembranças e expectativas isoladas através das quais a libido está vinculada ao objeto é evocada e hipercatexizada, e o desligamento da libido se realiza em relação a cada uma delas. Por que essa transigência, pela qual o domínio da realidade se faz fragmentariamente, deve ser tão extraordinariamente penosa, de forma alguma é coisa fácil de explicar em termos de economia. (FREUD, Vol. 14, p.250).

Nesse mesmo trecho, Freud afirma que, se por um lado, o teste da realidade, ao apontar para o desaparecimento do objeto, exige o desinvestimento, por outro lado, aponta que o vínculo não é fácil de ser desfeito, já que “as pessoas nunca abandonam de bom grado uma posição libidinal” (Idem). E a oposição entre a realidade e a aderência da libido ao objeto pode ser tão intensa que “dá lugar a um desvio da realidade e a um apego ao objeto por intermédio de uma psicose alucinatória carregada de desejo.” (Idem).

Creio que nos relatos de W e de M aparecem traços desse trabalho dramático de luto ao ponto da ocorrência ao menos próxima do que Freud chamou de “psicose alucinatória carregada de desejo”. [2]

[2] Chamo dramático ao trabalho de luto por conta de, no mínimo, uma analogia entre as forças internas em disputa no enlutado e o sentido de dramático no teatro, que implica a disputa entre forças desejantes em oposição, normalmente representadas por personagens distintas e travadas e desdobradas nos diálogos. Lembro, a propósito que, conforme a teoria teatral clássica, é o diálogo (portanto a linguagem, o signo) que move a ação dramática.

O trabalho de luto, em ambos os casos, parece fazer com que W e M passem a experimentar uma espécie de presença de seus entes por meio de escolhas de traços e episódios e objetos que a eles remetam, colhendo, assim, algum alívio da dor pela perda e, quem sabe, preparando a aceitação dela. Trabalho de luto que para Freud, na tradução de que fiz uso, implica uma transigência, cujo sentido liga-se a acordo entre partes oponentes. Por outro lado, Freud observa que no luto, após um determinado tempo (que não é curto), o teste da realidade é “levado a efeito em detalhe” e, uma vez realizado esse trabalho, “o ego consegue libertar sua libido do objeto perdido”. (Idem, p.258). E acrescenta ainda que:

Cada uma das lembranças e situações de expectativa que demonstram a ligação da libido ao objeto perdido se defrontam com o veredicto da realidade segundo o qual o objeto não mais existe; e o ego, confrontado, por assim dizer, com a questão de saber se partilhará desse destino, é persuadido, pela soma das satisfações narcisistas que deriva de estar vivo, a romper sua ligação com o objeto abolido. (Idem, p.260).

Freud faz lembrar que as lutas que configuram o trabalho do “luto normal” para que se processe a separação da libido do objeto se dá no campo do inconsciente (“região dos traços de memória de coisas”), mas esse processo segue o caminho do sistema Ics. e da consciência, tendo como consequência a separação da libido em relação ao objeto perdido, mas esse caminho, “devido talvez a um certo número de causas ou a uma combinação delas, está bloqueado para o trabalho da melancolia.” (Idem, p.261). Dito de outro modo, na melancolia talvez falte o teste da realidade, mas também a percepção do que, afinal, se perdeu, ou seja, o objeto perdido permanece inominado, ou retirado da consciência. O melancólico pode saber, eventualmente quem perdeu, mas não sabe o que perdeu nesse quem, mas as considerações econômicas de Freud, levam-no a observar que, no melancólico, a libido investida no objeto, uma vez tendo-o perdido, retorna para o eu, num movimento de identificação narcísica, tornando-se o objeto introjetado espectro e alvo de amor e ódio do eu fraturado. Note-se, com Freud, que a pessoa melancólica se auto despreza não a partir de um momento datado, mas desde sempre, o que me leva a inferir que, não só não tem nome o objeto perdido, como não tem tempo, razões plausíveis ao sofrimento atroz da pessoa melancólica. Talvez, para o melancólico, o que está em jogo seja algo como que o objeto primordial, ou, em referência à semiótica peirceana, o que se perdeu foi o quase-objeto, pois tal perda primordial parece ter ocorrido no limiar da constituição do tempo e do outro e de si. [3]

[3] Charles Sanders Peirce (1839-1914), filósofo, linguista, matemático e semioticista estadunidense. Todas as referências deste texto a signo e semiótica são relativas à semiótica peirceana.

De qualquer forma, de modo menos especulativo, Freud propõe que ocorre na melancolia uma “regressão da catexia objetal para a fase oral ainda narcísica da libido”, e que a escolha objetal parece ser “efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo” (Idem, p.255), o que me faz considerar relacionar a melancolia à fase do narcisismo primário. Enquanto o luto “compele o ego a desistir do objeto, declarando-o morto e oferecendo ao ego o incentivo de continuar a viver” (Idem, p.262), a melancolia talvez obrigue o ego a perpetuar o drama do abandono e permanência do objeto primeiro, deslocando a cena para os palcos da vida do indivíduo melancólico, obrigando-o a colecionar cadáveres no cemitério na alma.

Se por um lado, o melancólico está condenado a essa espécie de trabalho de Sísifo, que o esgota, que, em casos insuportáveis pode leva-lo até mesmo ao suicídio, por outro lado, suponho que o melancólico poderia conseguir, eventualmente, estados em que do próprio conflito de forças nesse drama brotasse algo pelo menos análogo ao processo de transigência que Freud atribui ao trabalho do luto. Esse processo, quero crer, deve estar relacionado ao delírio do enlutado, por meio de contatos imaginados com fragmentos do ente perdido (os objetos pessoais da filha de M, os ditos caboclos do pai de W dos nossos relatos, por exemplo). E o melancólico, embora não tendo seu objeto na realidade empírica, poderia ir projetando seus ecos em objetos provisórios indefinidamente, perambulando pela vida enquanto dure. [4]

[4] Elisabeth Roudinesco e Michel Plon, em seu Dicionário de Psicanálise, apontam que “[…] existe um dado invariável na estrutura melancólica, como mostrou Freud. Ele reside na impossibilidade permanente de o sujeito fazer o luto do objeto perdido. E é isso, sem dúvida, que explica a presença do famoso “temperamento melancólico” nos grandes místicos, sempre ameaçados de se afastar de Deus, nos revolucionários, sempre à procura de um ideal que se esquiva, e em alguns criadores, sempre em busca de uma autossuperação.” (ROUDINESCO, “Melancolia”).

Suponho aqui que deve haver algo que se produz na situação episódica do luto que ocorre indefinidamente na condição do melancólico, cuja chave para a compreensão está no que ocorre na trama da transigência (no sentido teatral, mas também de tecelagem) própria do trabalho do luto, ou seja, mesmo que, no fim e ao cabo, o enlutado perlabore, e o melancólico perambule, creio que pode haver no trabalho dos dois elaborações semióticas semelhantes relativamente ao objeto perdido do enlutado e aos objetos provisórios do melancólico, ambos, portanto, atuando no campo da linguagem, das significações, ressignificações, construções de sentidos, criações sígnicas, enfim.

Ao tratar da melancolia, Freud afasta-se do cérebro e dos nervos, objetos de atenção da Psiquiatria da época, optando por não fazer uso de termos em voga, tais como lipemania e monomania triste, preferindo o termo hipocrático, porém mantendo-se distante dos fluidos humorais da antiguidade clássica, que considerava a melancolia um fenômeno somático que determina a  vida da alma, enquanto Freud a vê como fenômeno psíquico que interfere também na corporeidade, destituindo, assim, a relação direta da melancolia com desequilíbrios corporais. Parece não interessar a Freud o sentido que o termo carrega em sua etimologia (do grego, melaina kole = bílis negra), pois que a bílis negra, ou atrabílis referia-se a uma das substâncias presentes no corpo que, quando em desequilíbrio, produziam adoecimentos corporais, como distúrbios digestivos, e desajustes psíquicos, em linhas gerais, relativos à alienação mental. Freud interessou-se pelo adoecimento psíquico ao mesmo tempo em que rejeitou a etiologia corporal da tradição clássica, discutindo a melancolia com base na metapsicologia. Mas também não compactuou com a ideia corrente na Psiquiatria de sua época, por meio de escritos, por exemplo de Pinel e Esquirol, de que a melancolia é um mal da sensibilidade causada por uma monomania que, uma vez extirpada, devolveria a saúde ao doente, o que não deixava de ser uma metáfora da concepção antiga da etiologia corporal da melancolia. [5]

[5] Segundo Jean Starobinski (A tinta da melancolia), a psiquiatria não rompeu de todo com a tradição hipocrática, quando, na descrição da melancolia, transforma em metáforas o que os antigos atribuíam a fenômenos corporais: “Não podemos deixar de admitir, hoje, a pertinência simbólica e expressiva da imagem da bile negra. Ainda não abandonamos completamente essa maneira de ver, e talvez ela corresponda a uma intuição fundamental, cuja validade nos seria demonstrada por uma análise fenomenológica um pouco profunda. Sem recorrer expressamente à imagem de um humor espesso, pesado e negro, circulando com lentidão e soltando vapores escuros, dizemos de um melancólico que sua mímica é apagada, que sua motricidade é como que pegajosa, que ele é dominado por ideias negras. Somos conscientes de, assim, apelar para metáforas; no entanto, é difícil encontrarmos os termos descritivos que não sejam análogos àqueles que a teoria humoral usava, em seu sentido literal, para caracterizar as propriedades físicas da bile negra.”

Embora me pareça que, em Luto e Melancolia, o melancólico é tomado como doente, ou paciente, tal não corre nos termos da Psiquiatria em voga, na medida em que Freud atém-se em descrevê-la, comparando-a ao luto, em vez de propor abordagens terapêuticas psiquiátricas, ao mesmo tempo em que observa no trabalho da melancolia traços que a equiparam e a distinguem do que chama de “luto normal”, fazendo-me ver em sua descrição da melancolia, no texto em questão, algo da ordem do constitucional, com  notas de ressonância com o pensamento aristotélico acerca do tema, para quem a melancolia, ainda que possa tornar-se doentia, não é, em si mesma, doença, pois antes de ser um acidente, é uma constituição (ARISTÓTELES, PIGEAUD). Não quero dizer com isso que Freud desconsidere todo o sofrimento do melancólico; ao contrário, chega a tecer considerações inclusive acerca do risco do suicídio em casos graves. Se para Aristóteles a melancolia é antes uma condição natural, parece-me que para Freud ela tem a ver com a constituição do sujeito relativamente à dinâmica do narcisismo, sem deixar, no entanto, de ser um adoecimento, porém no sentido de algo que destoa ou extrapola a medida do luto, o que, por sua vez, nos remete novamente a Aristóteles, que vê na melancolia a exceção à normalidade, porém num sentido que Freud não aborda:

Por que razão todos os que foram homens de exceção, no que concerne à filosofia, à ciência do Estado, à poesia ou às artes, são manifestamente melancólicos, e alguns a ponto de serem tomados por males dos quais a bile negra é a origem, como contam, entre os relatos relativos aos heróis, os que são consagrados a Hércules? (ARISTÓTELES, PIGEAUD, p.81). [6]

[6] As referências ao conceito de melancolia em Aristóteles baseiam-se em seu escrito (ou atribuído a ele) O Problema XXX, seção 1. Fiz uso da do texto em si e da apresentação de Jackie Pigeaud, que o antecede, na edição intitulada O homem de gênio e a melancolia. O Problema XXX, 1 (Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1998).

Enquanto Hipócrates, que antecedeu Aristóteles, demonstrou interesse pela melancolia como adoecimento corporal com consequências para a alma, [7]

[7] “Quando tristeza e medo perduram por longo tempo, tal estado é melancólico” (aforismo hipocrático, apud CHAUÍ-BERLINCK).

 Aristóteles, por sua vez, nota que a exceção do homem melancólico inscreve-o entre as mentes criativas e criadoras, pois que sua condição intrínseca categoriza-o como sendo aquele que agrega, em sua instabilidade, todas as nuances possíveis dos temperamentos humanos. [8]

[8] “O melancólico é essencialmente polimorfo […] isto quer dizer que o melancólico tem em si, como possíveis, todos os caráteres de todos os homens. O que esclarece prodigiosamente, como veremos, a ideia mesma da criatividade melancólica.” (ARISTÓTELES, PIGEAUD, p.13).

E interessa-se especialmente pelos poetas, que o são em virtude da força do movimento da bílis negra, que os faz extrapolar a medida da normalidade, condição para o ato criador nas artes. [9]

[9] Para Aristóteles, “a melancolia não é necessariamente uma doença. Poderíamos dizer, por certo, que se distimia e medo estão ligados à bile negra, como diz Hipócrates, isso não representa, nem de longe, todos os estados que estão ligados à bile negra. O apaziguamento, a exaltação e todos os outros comportamentos descritos [que correspondem a todas as variações do sentir-se si mesmo dos homens] são efeitos da bile negra.” (ARISTÓTELES, PIGEAUD, p.67).

Essa visão aristotélica sobre a melancolia, ao longo da história, ganhou adeptos e detratores, teve seus altos e baixos nas escolhas conceptivas a respeito do tema, foi retomada no Renascimento, e viu seu declínio a partir do século XVII e XVIII, chegando sem prestígio aos dias de Freud, mas nunca desapareceu de todo, de modo que se poderia afirmar a existência de dois vieses a respeito da melancolia: um – hipocrático – que a compreende como adoecimento, negatividade, e outro – adotado por Aristóteles – que a toma como algo constitucionalmente positivo, podendo apenas acidentalmente tornar-se adoecimento. [10]

[10] Segundo o psicanalista Joel Birman, a partir desses dois vieses sobre a melancolia e sobre a loucura em geral, estabelecem-se duas tradições: por um lado, a loucura como a perda da razão, e da não constituição do sujeito porque não pensa, e por outro, a recuperação da versão renascentista sobre a loucura, onde o louco pode dizer a verdade, onde se atribui a constituição do sujeito na loucura. Vivemos, então, segundo Birman, na tensão entre as duas tradições: uma psiquiatrizante e a outra artística, compreendendo a loucura como uma espécie de porta-voz da verdade. (BIRMAN, FREIRE FILHO, 2014).

Retomando nossa a especulação que propus sobre as tramas da transigência, gostaria de supor a existência de um trabalho criativo (ou a tentativa de empreendê-lo) tanto na melancolia como no luto. Talvez, ao seu modo, Aristóteles e os antigos tenham atentado para os interstícios da melancolia e percebido ali não somente o sofrimento como resultado do trabalho que ali é operado, mas também, a possibilidade de se produzir signos (ou tão somente quali-signos), mesmo que precários, insatisfatórios, provisórios, ou tão somente mônadas carentes ainda de nome. Por outro lado, quando observo que Freud escolheu o mesmo termo – trabalho – para designar a ocorrência no interior tanto do processo de luto como no de melancolia, penso que não seja inadequado supor que ele tinha em mente que trabalho envolve uso direcionado de energia com vistas à produção de algum resultado, mesmo que cause sofrimento e que resulte improdutivo ou inócuo. Se, em consonância com o apontamento de Freud, que viu na melancolia algo relativo ao narcisismo, se pensarmos na ocorrência de uma perda primária, tendo em mente a cadeia de significantes lacaniana, parece plausível propor que não é a melancolia que se assemelha ao luto, mas este àquela, o que faz pensar na melancolia como condição e nos lutos como condicionalidades, aproximando, mesmo que somente por analogia, Freud e Aristóteles.

Sendo assim, resta-nos refletir sobre os meandros desse trabalho do melancólico e do enlutado, que leva um a perpetuá-lo e o outro a transigir a condição do sofrimento pela perda do objeto. Se se tratar de ressignificação, como suponho, estaremos igualmente no campo da linguagem nos dois casos, e penso que os relatos apresentados no início deste escrito ajudará na elaboração de uma hipótese que, embora possa dar conta do que chamarei o aspecto criativo do trabalho da melancolia e do luto, por conta do recorte proposto farei referência somente ao luto, pois que os relatos foram apresentados dentro desse recorte. Sobre a melancolia, quero apenas apontar – com Freud – que, por conta de suas especificidades, sobretudo sua relação com o narcisismo, a ausência de consciência sobre o objeto perdido e a inocuidade do teste da realidade, o trabalho nesse caso, em que pese o aspecto criativo, tende a se perpetuar com a sombra do objeto habitando o melancólico e podendo projetar-se ou não sobre objetos provisórios até o esgotamento das forças. Quanto ao enlutado, com a possibilidade da verificação da perda do objeto, embora o trabalho seja penoso e muitas vezes longo, como o atesta Freud, o aspecto criativo prece ser a moeda em conta na transigência que, enfim, se dá no palco psíquico em que contracenam o morto e o vivo. [11]

[11] É interessante anotar que, segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, os indígenas brasileiros Araweté acreditam que os mortos carecem dos vivos e, por isso, se ocupam de atraí-los para junto de si, podendo os vivos morrerem por conta dos sortilégios dos mortos, de modo que os vivos precisam praticar determinados rituais a fim de afastar os mortos.

Em que consistiria essa criatividade do luto? Penso que o trabalho do luto envolveria, para além (ou aquém) do aspecto econômico, colher, escolher e organizar traços do morto a fim de ressignificá-lo, (e ressignificando-o, o sujeito estaria ressignificando-se) como fazem os artistas construtores de personagens (escritores, dramaturgos, atores, pintores, escultures…). E ouso arriscar que talvez não se trate tão somente de analogia, mas de um mesmo e único movimento psíquico atualizado nos trabalhos do artista, do enlutado.

Para conjecturarmos acerca desse movimento psíquico geral com base em colheita, escolha e organização de traços a fim de ressignificar o morto no trabalho do luto que conduz à descatexização do objeto perdido, quero fazer referência à construção da personagem proposta por Anatol Rosenfeld em seu escrito “Literatura e Personagem”, que compõe, com outros autores, o livro A personagem de ficção. [12]

[12] CANDIDO, Antonio et al. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 2009. O texto, naturalmente, está longe de esgotar o assunto (e nem foi ambição do autor), mas o julgo pertinente ao propósito deste escrito.

Um primeiro ponto levantado pelo autor para caracterizar o trabalho de composição da personagem de ficção é a escolha de determinados aspectos esquemáticos relativos a aparência, processos psíquicos, objetos, ambientes, todos ligados à personagem. E aqui, já podemos pensar nos relatos de W e de M, no aparecimento espontâneo à mente de determinados fragmentos, imagens, objetos, momentos, ditos, etc. dos entes que perderam. Talvez esteja em jogo aí uma sobredeterminação do inconsciente a alinhavar a ressignificação do morto. [13]

[13] Mesmo no campo da criação ficcional artística, embora a construção da personagem obedeça a um plano deliberado do autor, muito se tem dito a respeito do imponderável no ato de criação, e mesmo há casos em que as personagens como que adquirem autonomia em relação ao autor, ou seja, em vez de serem confeccionadas racionalmente, vão se apresentando ao autor, produzindo até mesmo alterações de percepção de mundo no autor.

Conforme Rosenfeld, os aspectos escolhidos para criar a personagem ficcional (recurso metonímico), embora constituam descontinuidade da figura, dão a ilusão da figura preexistente à criação literária e de continuidade, de modo que as personagens são esquemas que suscitam preenchimentos e assim suscitam aspectos insondáveis da personagem, refazendo-se o mistério humano. Se atribuirmos esse procedimento metonímico ao trabalho de luto de M e W, podemos talvez falar que eles vivenciaram um processo que envolve a perda do objeto, mas também a construção de um objeto imaginário ficcional que remete ao objeto perdido por meio de escolhas esquemáticas e que permitem o acesso até mesmo a aspectos dos seus respectivos entes que M e W eventualmente não percebiam quando eles ainda estavam vivos. Se por um lado, do ponto de vista econômico, o teste da realidade foi provocando o trabalho do luto no sentido de promover a descatexização dos seus objetos, talvez possamos dizer que parte dessa libido lentamente liberada esteja sendo empregada na ressignificação do pai de W e da filha de M. Não podemos prever a evolução dos seus lutos, mas podemos conjecturar, nessa perspectiva, o que significaria o trabalho de “luto normal” na economia proposta por Freud, para quem, no trabalho do luto:

Cada uma das lembranças e situações de expectativa que demonstram a ligação da libido ao objeto perdido se defrontam com o veredicto da realidade segundo o qual o objeto não mais existe; e o ego, confrontado, por assim dizer, com a questão de saber se partilhará desse destino, é persuadido, pela soma das satisfações narcisistas que deriva de estar vivo, a romper sua ligação com o objeto abolido. (FREUD, p.260).

Não creio que o luto de M e de W estejam necessariamente em caminho diverso do que propõe Freud para o “luto normal”. Penso, ao contrário, que o seu trabalho de luto, envolvendo, por meio de processos inconscientes, a coleta, escolhas e organização de imagens, aspectos, momentos, falares do pai de W e da filha de M, como que se estivessem se plasmando aos poucos diante deles um pai e uma filha personagens (no sentido atribuído por Rosenfeld), faça parte da transigência que envolve a descatexização. Talvez a aceitação da perda do objeto possa ir-se dando na medida em que um objeto imaginário vai se formando, e que justamente por remeter-se ao objeto perdido, possibilite a gradativa aceitação da perda. E talvez haja uma passagem da libido do objeto perdido para o objeto criado, como que um refúgio à alucinação. Mas então estaria o enlutado fadado a uma alucinação perpétua?[14]

[14] Freud afirma que o luto pode ocasionar até mesmo “um desvio da realidade e a um apego ao objeto por intermédio de uma psicose alucinatória carregada de desejo.” (FREUD, p.250).

Talvez não. Ou ao menos não em termos patológicos. Talvez encontremos nos relatos de W e M uma pista de como o processo pode evoluir. Chamou-me a atenção o fato dos dois contarem que começavam a se apropriar de determinados elementos (vestimentas, cheiros, gestos e ideias) que eles iam lembrando e aos mortos associando, num trabalho de construção sobredeterminada pelo inconsciente e absorção pelo ego de traços seletivos. E talvez, enfim, faça parte do trabalho do luto não só a persuasão da “soma das satisfações narcisistas que deriva de estar vivo” (Idem), mas também a absorção narcisista de alguns dos traços, digamos ficcionais, do morto como “contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite” (em referência ao Poema só para Jaime Ovalle, de Manuel Bandeira), porque não se trataria mais do objeto perdido stricto sensu, mas a ele remeteria. Um trabalho criativo. E fico tentado a dizer, artístico. Mas penso que é o trabalho artístico que faz uso do dispositivo do que poderíamos chamar de perda criativa do luto que, por sua vez, teria na melancolia o seu protótipo.

Referências

ARISTÓTELES. Poética. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1994.

ARISTÓTELES, PIGEAUD, Jackie (Apres.). O homem de gênio e a melancolia. O Problema XXX, 1. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1998.

BIRMAN, Joel, FREIRE FILHO, Aderbal (Apres.). “As relações entre arte e loucura”. Programa Arte do Artista. TV Brasil, 2014. (in: www.youtube.com/watch?v=Zji0SWokokE).

CANDIDO, Antonio et al. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 2009.CHAUÍ-BERLINCK, L. “Melancolia e Contemporaneidade”. Cadernos Espinosanos, n. 18, p. 39-52, 15 jun. 2008.

FREUD, Sigmund. “Luto e Melancolia”. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996, Vol. 14.

ROUDINESCO, Elisabeth, PLON, Michel. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zaar, 1998.

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